Por Sergio Kocerginsky

Conforme mencionado no artigo anterior, sou Técnico de Segurança do Trabalho e atuo com produtos e soluções para estéticas automotivas. Em todas as minhas visitas, aproveito para bater um papo com os clientes, no intuito de estreitar os laços e coletar mais informações para poder melhor atendê-los.

Durante essas conversas sempre aproveito para saber como está a saúde de meus clientes e as respostas, na maioria das vezes, são as mesmas: dores na coluna e nas articulações. Também sempre há queixas de estresse, levando-os à automedicação com a justificativa de conseguirem efetuar o trabalho sem dor, ou mais calmos. 

Mas quais são os motivos dessas dores? Por que tanto estresse? O que esses profissionais de estética automotiva andam fazendo de errado com seu corpo e mente? Certamente a resposta mais simples para essa pergunta, seja a falta de prevenção dos riscos da ergonomia, um assunto de extrema importância que veremos nesse segundo texto de nossa série, Segurança no Trabalho para Estéticas Automotivas.

Riscos na Ergonomia

Ergonomia consiste no estudo da organização do ambiente de trabalho, na qual existem interações entre seres humanos e máquinas. Riscos ergonômicos, por sua vez, são todas as condições que afetam o bem-estar do indivíduo, seja fisicamente ou mentalmente. Essa desorganização generalizada, pode ser compreendida como um dos fatores que interfere nas características psicofisiológicas do profissional, provocando desconfortos e problemas de saúde. 

São exemplos de riscos ergonômicos: levantamento de peso, ritmo excessivo de trabalho, monotonia, repetitividade, postura inadequada e outros. Há de se convir que na estética automotiva existe uma interação intensa de seres humanos com máquinas, além disso, os riscos citados acima estão presentes frequentemente na rotina desses profissionais. 

Desde uma simples lavagem à um polimento técnico, o detailer está sempre sujeito a sofrer com alguns dos danos ergonômicos, porque suas atividades requerem posições e posturas que colocam a coluna e a musculatura em risco. Além de movimentos repetitivos que podem acarretar no desenvolvimento de doenças como, por exemplo, LER (Lesão por Esforço Repetitivo) e DORT (Distúrbios Osteomusculares Relacionados ao Trabalho). Ambas as doenças geram sintomas como dor nos membros superiores e nos dedos, dificuldade para movimentá-los, formigamento, fadiga muscular e redução na amplitude do movimento. 

Outro grande risco ergonômico, é o ritmo excessivo de trabalho. Sabe aquele carro que combinou de entregar para o cliente no final do dia? Então ao perceber que o dia está acabando, e o carro não está nem na metade do serviço, automaticamente você começa a triplicar a velocidade dos processos. O problema é que com esse aumento de velocidade,  acaba-se perdendo a qualidade do acabamento. E com isso, muito provavelmente, você ficará nervoso e angustiado, para conseguir dar a volta por cima, e entregar o carro ao cliente no horário combinado, e também  com a qualidade prometida. 

Só de pensar nisso, já dá uma agonia, agora imagina isso todos os dias. Pois é, a rotina do profissional de estética automotiva é dolorosa e estressante. Discutimos sobre uma série de riscos na segurança do trabalho, e situações desfavoráveis a ergonomia. Vamos agora abordar as soluções para prevenir esses problemas. 

Ações preventivas

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Na ergonomia, os meios preventivos mais usados são os EPIs (Equipamentos de Proteção Individual) ergonômicos e a aplicação de ações preventivas na rotina do profissional.  Os principais EPIs recomendados para os profissionais de estética automotiva são: Cintas; Adaptadores ergonômicos para cadeiras; Banquetas ergonômicas; E munhequeiras (Figura 1). 

Tais EPIs auxiliam na reeducação postural, exercendo alívio da pressão nas regiões afetadas, protegendo a coluna, membros e articulações, aumentando a rigidez muscular e também reduzindo a força muscular excessiva. 

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Figura 1. Principais EPIs ergonômicos utilizados na estética automotiva

Com relação às ações preventivas, a chamada ginástica laboral, pode ser adotada dentro do ambiente e da rotina de trabalho. Vale ressaltar que tais ações devem ser conduzidas pelo menos uma vez antes, ou durante o expediente de trabalho com duração de 10 a 15 minutos, e sob orientação de um profissional de saúde capacitado. 

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Profissionais que adotam uma conduta positiva, como as citadas acima, certamente encontraram benefícios além da proteção contra os possíveis riscos ergonômicos. O cuidado com a ergonomia, ainda melhoram a qualidade de vida do profissional, aumentam a produtividade, e gera mais eficácia e equilíbrio a rotina.

Se você é profissional de estética automotiva, e tem dúvidas sobre as questões como as citadas acima, procure um Técnico em Segurança do Trabalho para melhor te orientar sobre as medidas preventivas e protetivas. Com orientação e adoção de bons hábitos, é possível transformar a rotina árdua de trabalho, em qualidade de vida.

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